Sobre peces

Él ya habia escuchado el cotilleo en el litoral. Se trataba de una bestia impresionante con dimensiones gigantescas y invencible. Los mas viejos decían que el animal podría llegar hasta los 220 pies de largo por 10 pies de ancho.

Además podría bajar mucho mas hondo que los 11 kilometros dentro del oceano; algo que solo lo hacían los peces mas atrevidos pero nunca pudieron volver de allí para alardear su hazaña.

Delante del monstruo marino él piensa que la cosa no daba tanto miedo como decían. En realidad, ni siquiera se veía su boca de tan pequeña que tenía.

Así que decide acercarse y observa cautelosamente por si acaso la cosa se ponía chunga de un momento a otro.

Nada. No pasaba nada.

Contento por haber sido uno de los únicos a estar tan cerquita del chisme mas grande jamás rumoreado en Pierazul sin incidentes, él dice en voz alta:

-Llamaremos a esto “submarino”… Por que es feo como un subnormal y de marino tiene poco.

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Era uma vez em Piera Azul…

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Ilustração by *AnnaBramble

***

 Nas tardes de inverno daquela região era habitual encontrar duas abelhinhas sentadas á beira do rio Anoia esperando a chegada do pôr-do-sol. Apesar do frio que costumava fazer nessa época, aquele inverno não era tão duro como outros pela insistência da primavera em ser protagonista antes do tempo.

Ao redor delas a paisagem era tão colorida como se poderia ser por aquelas datas com as condições mencionadas. Se destacavam os vibrantes tons de rosa e vermelho das árvores, o gigante fuchsia deslumbrava com suas diversas flores em branco, vermelho-escuro e alguns poucos tons de amarelo. A travessa Glicínia trepava pelos pergolados e cercas com sua romântica inflorescência azul-violeta. Não obstante todo panorama primaveral, havia ainda flocos de neve que davam elegância ao meio ambiente e recordava a todos que o Inverno ainda intervinha no cotidiano. E foi diante de toda esta bela paisagem de liberdade que conversavam Kallfü e sua amiga Naranja. Havia algo ainda mais especial naquele 2 de fevereiro, era o dia da Rainha do mar, por isso as duas tinham vários barquinhos de papel colocados sobre a água.

– … E apesar de tudo, eu sei que todo mundo tem sua cor favorita, sabe?

– … Sei, sei sim! – Disse Kallfü com ar sereno e a cabeça levemente apontada em direção ao chão. Kallfü era a abelha mais destacada do povoado. A primeira vista, uma característica muito saliente nela, eram as duas cores de seus olhos. Um verde turquesa e o outro azul pacífico. Isso a tornava ainda mais bela e chamativa entre as outras. Ainda como uma pequenina larva decidou mudar o estilo disciplinado e laborioso que viria a ser o destino obrigatório de qualquer habitante da colméia para aventurar-se pelo mundo e entender, meio quase que sem querer, muito mais do que esperava ao começar o percurso.

– Mas, sinceramente? – Continou ela. – Acho que a maioria das pessoas não entende a força dessa frase.

– O que queres dizer Kallfü? Eu não tenho razão?

– Ah sim tens, claro que tens… Mas seu comentário lembrou-me algumas coisas que me fizeram entender melhor o significado dessas palavras. São tão bonitas, tão importantes! – Fez uma longa pausa, suspirou com gratidão e alegria e olhando com ternura a sua companheira Naranja, sussurou:

Apesar de tudo

– Me conta, vai? – Disse Naranja com os olhos estrelados de curiosidade. – Nunca contaste sobre suas viagens… Principalmente seu encontro com a Rainha do Mar. – Ela fez ênfases na última frase, como se fosse o mais importante que dizera.

– Não sejas assim! Já contei-lhe várias estórias até hoje, não sejas exagerada! Sempre queres mais e mais! – Exclamou e riu com simpatia Kallfür estendendo a mão com suavidade sobre o rosto de Naranja. E seguiu:

– Vês? Assim gosto que estejas, com um sorriso e sem desespero. Agora eu satisfarei sua vontade e contarei a estória, mas brevemente, porque sabes que devo voltar a casa logo após o pôr-do-sol, há tanto a fazer lá ainda… Ufff…

– Tá bem, eu te ajudo se for preciso! – Naranja frotava as mãos com rapidez e um longo sorriso denunciava a gritos sua evidente ansiedade. – Não faças essa cara de que não precisas de ajuda… Falamos disso depois, agora vai, começa logo!

      Kallfür olhou o rio Anoia, que brilhava com diferentes gamas de azuis oferecidas pelo astro-rei que já apresentava-se um pouquinho enfraquecido pela chegada da noite. Ela sabia que começar uma estória ao lado da companheira não era fácil já que Naranja sempre fazia perguntas e isso alargaria a conversa até a próxima estação. “Ah, são tantos defeitos que ela tem!”  pensava Kallfür esboçando um sorriso. “No entanto, aprendi a amar cada um deles do jeito que eles eram. Porque amar qualidades de alguém é simples… Difícil é amar o que não gostamos nos outros e, principalmente, ajudá-los a mudar porque não é bom amar defeitos para sempre, não é?”. Logo após terminar de entreter-se com seus breves pensamentos a singela abelhinha Kallfür começou assim seu relato:

“Foi quando cheguei em Olisipo que pude conhecê-la. Mas não foi tão simples encontrar o jeito de descobrir como…”

– Mas conta porque você se foi daqui primeiro… – Interrompia Naranja, como de praxe.

“Ah… Queres mesmo saber?”

– Sim, sim, siiiim! – Continuava fazendo piada e dando índicios do seu pouco juízo.

“Na verdade, eu não sabia porquê… Só tinha aquela vontade louca de sair. Precisava dessa aventura na época. Agora entendo melhor o que houve… Mas deixa disso e pares de falar senão não terminarei a estória hoje. E quando termine, entenderás tudo certinho!”

E Kallfür continou narrando sua aventura… Contou sobre como esteve na estrada pedindo carona aos grandes pássaros que voavam mais distâncias e mais rápido que ela. Contou sobre quando esteve acampada na região do Midi e conheceu o grande mar e a praia. Falou sobre as curiosas criaturinhas com quem compartiu aventuras, tristezas e alegrias. Deteu-se um momento no incidente que a levou a assumir sua vocação de revolucionária na luta pelo “abelhismo”, ou seja, o direito de todas as abelhas serem consideradas iguais as outras. Não era justo que só as operárias trabalhassem sempre.

Teimou em fazer entender a Naranja, que seguia com sua compulsão em perguntar, como interpretava, com sua peculiar maneira, a palavra saudade, até suspender os relatos aleatórios para centralizar-se em uma interessante anedota com três gordos bichinhos chamados Paul BluesOliver uma libélula africana que andava sempre com Funa e Naná dois besouros bem fortes. Ela descreveu o encontro dessa maneira:

“Paul era músico e adorava cantar e tocar. Naquele tempo eu já morava em Olisipo e por ter passado tanto tempo em Midi aprendi a amar o mar e dar-lhe presentes. Toda tardinha ia a praia e via como alguns animais dançavam e faziam oferendas para a Rainha. Eles deixavam suas dádivas na beira do mar e se fossem levadas pelas ondas queria dizer que ela aceitava a prenda de bom grado.
Sabes que sempre gostava de dançar, não é? Pois Paul e os besouros me ensinaram a encontrar a maneira de expressar o que sentia com a dança. Foi muito piada porque eu recolhia todas as frutas e flores que encontrava, sempre levava as mais bonitas, mas o mar nunca arrastava minhas ofertas… As vezes, dançava toda a noite e enfrentava as ondas em euforia esperando que a Rainha desse sinal de que ficara satisfeita comigo. E nada… Nadica de nada.
Até que um dia, a gorda libélula Paul aproximou-se de mim com Funa e Naná e começaram a tocar uma canção que eu jamais tinha ouvido. Eu parei meu baile e fiquei maravilhada com a energia que eles cantavam e dançavam ao mar. Então, Paul “Blues” Oliver terminou seus versos e respirou aliviado fitando-me com um meio sorriso do lado esquerdo da boca.

– Não es daqui, não é verdade, pequena gafanhoto? – Disse ele com sua branda voz e um sotaque grave característico da sua provinça.

– Não sou uma gafanhoto! Sou uma abelha e me chamo Kallfür.

Apesar de ter adorado escutar a Paul e seus amigos tocarem, não os conhecia, e era visível minha hostilidade com eles…

Logo, Funa e Naná, que curiosamente sempre falavam ao mesmo tempo, disseram:

– Vemos que sempre estás por aqui a dançar… Não gostava de aprender conosco? A Rainha adora a dança! – Eles comentaram com altruísmo mas era estranho escutar-lhes em uníssono… Ok, ok, reconheço que também era muito divertido!”

– E então? Você aprendeu? Como era aquela dança? Vai, fala, fala, porfa… – Neste momento Naranja já sentia-se em êxtases para conhecer toda a estória.

– Ai… Sempre estás a amassar-me! Não aprendes a ficar quietinha nunca, é?

– Tá bem… Eu escuto. Mas conta logo senão o sol se põe… – Ela não perdia uma oportunidade de alfinetar a amiga.

“Bom, eles me ensinaram a dança. No começo eles diziam que o estilo era bailado a pares, com os parceiros enlaçando um dos braços e com outro mantendo as mãos dadas. Eu tinha que mover rápido os joelhos alternando-os com leves flexões, como marcando um compasso… Mas eu não conseguia fazê-lo direitinho como eles. Então Paul pegou a guitarra e começou a cantar. Mandou os dois besouros pararem de incomodar-me com a falação dupla e dirigindo-se a mim, disse:

– Agora eu toco e tu dançarás!

– Desculpe senhor Blues, mas eu não gosto que me dêem ordens! – Respondi enfática.

– Tens muita personalidade pequenina. – E rindo continuou – Mas não estou a dar-te ordens… Olha, lhe explico de uma maneira mais fácil e dócil… Enquanto eu toco tens que…”

– E como ele ensinou? O que ele falou? Me conta! – Interrompeu novamente Naranja com sua espontaneidade distinguida.

– Não tens remédio, pá! Se me deixas falar saberás, não achas?

– Porque não me ensinas em vez de contar-me? Eu quero aprender, vamos, ensina-me!

– Hmmm… Boa idéia! Será divertido ver como danças funaná.

– Funaná? Assim se chama?

– Bom, eu chamo assim em homenagem aos meus amigos que dançam muito bem e me fizeram descobrir o baile. Agora tens que ficar de pé. Logo, vais flexionar os joelhos como se estivesses amassando o milho com um tronco e movas as cadeiras dentro do ritmo que farei com essas cascas de amendoim.

E ela começou sua batucada com cascas de amendoim contra uma grande rocha a beira do rio. O ritmo assustou as formigas que viviam embaixo da grande pedra fazendo com que saíssem em debandada, simulando, de um jeito muito esquisito a mesma técnica que ensinava Kallfür. O episódio resultou nas gargalhadas de Naranja pelo medo que tiveram os bichinhos de menor tamanho.

– Anda, para de rir e comeces a fazer o que eu disse!

– Ei, espera um cadinho! Não gosto tampouco que me dêem ordens, eh? – A abelhinha tinha respostas engraçadas para tudo.

– Oh Deus, eu estou criando um monstro…

– Nada de monstro, eu sou uma abelha! Atrevida? Talvez! Mas monstruosa nunca!

As duas riram da situação e Kallfür decidiu continuar a estória e deixar as aulas de dança para outra ocasião mais tranquila.

“Enquanto Paul tocava, Funa e Naná começaram a citar versos para animar-me e não ouse perguntar o que me diziam porque eu já tinha intenção de contar-te!”

E declarou os vocábulos dos amigos mais ou menos assim:

…o canto é um estado de espírito e é a música que dá voz a ele. A dança é o lamento dos oprimidos, o grito de independência, a paixão dos lascivos, a raiva dos frustrados e a gargalhada do fatalista. É a agonia da indecisão, o desespero dos desempregados, a angústia dos destituídos e o humor seco do cínico. É a emoção pessoal do indivíduo que encontra na música um veículo para se expressar. É o duelo obsceno de violeiros na feira ambulante, o show no palco de um inferninho nos arredores da cidade, o espetáculo de uma trupe itinerante, o último número de uma estrela dos discos. É um privilégio e um grito de liberdade e a inspiração de um alguém conhecido apenas por sua comunidade, talvez conhecido apenas por si mesmo“…

“E eles falavam de tudo que enche meu espírito de alegria e, então, eu dancei. Como nunca antes havia dançado! Sentia uma liberdade incrível que até agora me apaixona!

Estivemos horas e horas tocando música até que meus companheiros se despediram, prometendo voltar no outro dia para continuar a festa. Eu ainda tinha vontade de dançar… E queria fazê-lo só para a Rainha, mas já não tinha nada a oferecer ao mar. Então, recordei-me que dentro de minha mochila ainda guardava o barquinho de papel que me presenteaste antes de partir daqui. E colocando-o bem pertinho da orla deixei que as ondas fizessem o trabalho de levá-lo a Rainha, se fosse do seu gosto.
Em seguida voltei a dançar. Sem música mesmo! Eu orientava meu baile somente seguindo o ritmo da água e do vento e o fiz por horas sem abrir os olhos. Até que já exausta me ajoelhei na areia e dirigi a vista ao barquinho porque queria saber se o mar tinha finalmente levado meu presente.”

–         E então? Ele levou ou não?

–         Tira essa pata do nariz enquanto falas, garotinha! Já disse-lhe que é de má educação essa mania que tens.

–         Ah, foi rapidinho… Viu? Já tenho tudo limpo! Agora conta o que aconteceu e eu não toco mais no meu nariz! Prometo!

Kallfür tentou ficar o mais séria possível para não apoiar a piada da amiga, mas seus esforços foram inúteis. E continuou:

“Vi alguém sentado na areia no mesmo local onde havia deixado meu presente. Como não conseguia enxergar se o mar havia levado ou não o barquinho, decidi me aproximar para conferir. Ao chegar mais perto, percebi que quem estava ali, na orla do mar, possuía algo nas mãos e, adivinhas o que era? Meu barquinho de papel. Fui ainda mais perto enfurecida com a falta de respeito daquela criaturinha, para tirar satisfações, claro! E por falar em respeito, não te atrevas a aproximar mais essa patinha do nariz como estas a fazer Naranja!

Antes que pudesse dizer-lhe algo, a criaturinha elevou levemente a cabeça em minha direção. Ela se posicionou de cócoras na areia e antes de dedicar-me a mirada analizava o objeto, ou seja, o barquinho com muita atenção. O gesto fez com que eu desse alguns passos atrás assustada. A criatura tinha aspecto humano, meio feminino, meio sereia… Era algo realmente lindo!”

– Oooh, era elaaaa! – Disse Naranja exagerando muito o espanto.

“Sim, mas não me interrompa menina… Enfim, percebi que seu vestido era formado pelas ondas do mar e cobriam seu corpo inteiro até o torso. Ela tinha grandes seios e seus cabelos iam até a cintura. Seu olhar era profundo e seus olhos tinham os mesmos azuis do Oceano. Ela sorriu e erguendo o barquinho disse:

– Odôiá, abelhinha! Obrigada! Esta é uma oferenda que me traz muitas alegrias! Além disso, seu baile foi tão emotivo que não pude ficar quieta… Mire! Olhe como deixastes meu mar!

Enquanto ela dizia as últimas palavras, minha atenção foi voltada as ondas… Vi uma força e tamanho incríveis!

– És a Rainha do mar?

– Tu mesma o dizeste pequena… Venha, mereces uma recompensa por esta homenagen que me fizeste!

E puxando-me pelas asas fomos caminho do mar. A medida que avançávamos as ondas nos abriam caminho deixado impressionantes paredes líquidas a nosso lado. De sobressalto, a Rainha me conduziu ao fundo do mar onde fui apresentada a muitas criaturas de tonalidade azul na pele. É sério! Eu vi pessoas azuis!

Bom, na verdade não eram pessoas, e sim, tritões e sereias de formosa figura. Cada um mais bonito que o outro. E foram tão acolhedores comigo! Me contaram suas aventuras com os Argonautas, e do histórico encontro entre Chico e Caetano… Falaram sobre a visita de Ossanha e a luta que tiveram com Moby Dick e o Barba Negra. Me guiaram pelos seus castelos e descobri muitos e muitos segredos do mar. Até que, já com o espírito arrebatado por contemplar tantas coisas divinas, a Rainha me convocou a seus aposentos. Então, ela me explicou que estava enamorada da minha simplicidade e insistência… Disse que adora receber presentes mas que não sempre o fazem com o coração tão livre e aberto como eu tinha feito. Ficamos muito amigas, como se a Rainha fosse uma extensão da minha personalidade e do meu carácter. Logo depois, ela explicou-me o porquê da minha inquietação e desassossego… Fez-me compreender porquê o zangão Abhuso atreveu-se a aborrecer-me tempos atrás. Expôs as razões de alguns sofrimentos que perduram em minha alma e dedicou-se a converter todos em experiência para minha vida. Eu estava tão feliz e orgulhosa da minha vivência… Não havia motivos para chorar, porque, apesar de tudo eu continuava aproveitado minha essência e da simplicidade de um pôr-do-sol ou dos ruidos das ondas… Por isso esta frase é tão importante para mim. Ela resume parte de minha vida e de muitas pessoas também.  Apesar de tudo eu posso afirmar queindependente do que possamos tolerar, viver ou suportar somos livres para mudar o panorama, dar a volta por cima, estender a mão a outros e ajudá-los a voar tão alto quanto seja possível.

Passei ter a rotina de dançar ao mar para estar com minha nova amiga e seus companheiros regularmente. Fui orientada por uma abelha tupiniquim, braço direito da Rainha, sobre a cultura do baixo-continente incluindo seus folclores típicos, comida e costumes. Fizemos um acordo de não revelar todos os detalhes de nosso diálogo a ninguém que não estivera em algum momento presente nesses dias e até hoje nunca o rompi…”

– Aha! Acabaste com a promessa hoje, então! Muito mal feito, eh?!

– Nada disso espertinha! Eu narrei somente as aventuras superficialmente… A melhor parte fica só para mim e nunca romperei este pacto que fiz.

– Sem vergonha! Não podes fazer isso comigo! – Naranja estava indignada com a malícia de sua amiga.

– Mas trata-se de uma promessa… Não sejas assim! Anda, temos que ir porque já está escuro e há muito que fazer em casa.

– Pois não te ajudarei. – Disse a intrépida abelhinha com cara de poucos amigos.

– Não há problema… Apesar de tudo, como eu vinha dizendo, cedo ou tarde a casa estará bem jeitosa como deve ser…

– Aaaaff… Não consigo convencer-te fazendo charminho já… Tenho que mudar minhas tácticas.

– É certo. Mas deixa de falar e vamos logo a preparar tudo para os convidados que chegam! E se te comportas bem, amanhã lhe apresentarei a Rainha do mar, ok?

– Yuuupi! FIXE! Vamos, vamos!

E as duas partiram juntos ao centro do povoado de Piera Azul esperando seus visitantes e dançando funaná até o amanhecer. Mas a dança veio bem depois de estar tudo bem arrumadinho… Como deve ser!

Os triângulos negros

Lentamente ela se ajoelha e esfrega as mãos protegendo-as contra o frio, a culpa e a pena. De súbito, sente a garganta arder e, por inércia, tosse duas vezes. Simula, em seguida, um gemido melancólico aproveitando para cobrir melhor seu pescoço. Não era habitual tão baixa temperatura em uma nevada naquele lugar, mas aquela noite não era como as outras.

Havia frio, neve, umidade e sangue.

Uma sensação de desespero a possui ao observar o chão desde outra perspectiva. Um massacre de corpos mutilados e baleados rodeavam seus pés. Foi nesse momento que fraquejou… Perdeu a autoridade sobre suas pernas ao ordenar que parassem de tremer e uma avalanche de pertubações invadiu sua cabeça. A aflição terminou por convencê-la a voltar ao solo.

Então caiu.

Ainda embriagada pela dor e agonia suas pupilas dilatam, seu pulmão exige mais oxigênio e o estômago recusa seguir usufruindo do que não presta.

De repente passos, logo, silêncio.

Os ruídos firmes e espaçados trazem a ruína e o ódio consigo. Percebendo a iminente chegada dos verdugos se abstém de respirar, aparentando um defunto mais entre todos os outros ao redor. Logo, nota que o ar impregna agonia, danação e fedor a coturno. Aos poucos segundos é inebriada pela polvóra recém queimada da Sturmgewehr 44 que passeiava cuspindo convites ao inferno com estabilidade atípica e pragmática contudência. Houve euforia entre os cadáveres ao contacto com os disparos. A ensurdecedora sinfonia que regiam os fuzis inspiravam o pavor.

Duvidava se o sangue que escorria pelo sua têmpora era seu ou alheio. Lhe apetecia que todo aquele pesadelo terminasse ali, que todos os gritos em homenagem ao Reich fossem cessados e que a melodia de suas ferramentas calasse em consequência. Ao notar que a violência rejeitava o desejo, seu coração acelerou com a mesma intensidade das balas. Sabia que seria seu fim e já havia perdido a conta de quantos pedaços foram decepados de seu corpo durante o festival de projéteis que ecoava contra todos.

Foi quando girando sua cabeça, observou as faces de pavor empapadas de rubro pela chacina. Rostos moribundos de pânico e olhares perdidos de crianças, mulheres, deficientes e idosos estavam entre o assassínio… A miséria não era a única similitude entre os desfalecidos. Eram também salientes os macabros triângulos que conotavam os motivos daquele castigo. Aqueles intrincados estereótipos geométricos condenava seus portadores a conhecer profundamente a escravidão, o sofrimento e a vergonha até o instante fatídico. O eufemismo apelidado de Solução Final não licenciava clemência aos não-arianos.

Seu olhar concentra-se no céu por alguns instantes. Os flocos de neve caiam com uma coreografia magnífica louvando a beleza da Mãe-Natureza e instigando devaneios de esperança enquanto, ela sonha…

Sonha com um dia onde poderia ser livre e autónoma…

Sonha com o tempo em que o irascível seria útil e pacífico…

Quando a aversão daria protagonismo a tolerância… E quando os contrastes fossem transformados em príncipios.

Ela sonha…

E sonhando com a vida e todo seu esplendor ela fecha os olhos aguardando o inevitável. E ensaia um suspiro ao relembrar a epístola que deixou como despedida;

Queridos meus,
Sinto minha alma cansada, apesar de saber que o que farão conosco me aliviará o espírito, expulsará a raiva e a fome de mim… E me matará em conclusão.
Amanhã pela noite seremos fuzilados por ser diferentes da sociedade ideal. Por gritar por liberdade e querer dar ouvidos aos desfavorecidos. Por fazer escolhas sentimentais duvidosas ou por, simplesmente, carecer da beleza ideal e nascer no país errado… Pagaremos, por estar vivos, com uma morte cruel.

Amados, lembro-me ainda de seus conselhos e levarei todos em meu coração apesar de não ter dado ouvidos a nenhum deles. Não estou arrependida ou com medo, porém.

Anelo a libertade!

Quisera ser livre como o ar ou as folhas. Não direi como meus colegas fizeram aos seus familiares, que está tudo bem.

Não é verdade!

Está tudo errado. E aqui, aonde estou, posso ver o distorcida que pode chegar a humanidade com seus interesses. Quero que entendam bem isso…

Eu quero viver!

Nenhum sentimento é tão grande como o que eu tenho agora.

Sei que estareis comigo em minha última hora e também depois disso.

Com carinho,”

As sensações intensificam comocionando sua resistência. Então, ela ouve, a palavra “Gnadenschuss” acompanhada de sossego e paz.

Vontade de Contar nº 17

Línea 6 – Desde Nuevos Ministérios a Moncloa

ÉL

 

Es que no me lo puedo creer… ¿Quién, en la vida, ha estado tanto tiempo en la cola del bibliometro? De verdad, se no fuera por mi timidez yo ya estaria echando leches a todo el mundo… Lo peor es que seguro que la chica esta que tengo delante es una marujita que quiere contar su vida a todo el mundo y cotillear de los demás…Eu alucino…

 

ELLA

 

– ...Bueno, como le estaba diciendo, la matematica es algo que se me escapa un poquito… Como la religión… pero el otro día cogí un libro aqui con su compañero, Juanma, muy bueno por cierto, sobre cálculos y eso. Se llama EL HOMBRE QUE CALCULABA… Me hubiera gustado leerlo de pequeña porque seguro que me cambiaba el gusto por la matematica enseguida. Así que nada mas… A ver, que hoy tengo mucha prisa, no puedo estar charlando mucho contigo, porque sino me pilla el toro y llego justita a mi clase de inglés…

 

ÉL

 

Esperate… Yo no he escuchado eso… No puede ser… la chica lleva casi 10 minutos conversando con la rapaza de la ventanilla del bibliometro ¿y ahora dice que tiene prisa? Pero bueno, eso es muy fuerte… Tampoco piensa en la gente que está en la cola esperando que termine su charla super interesante sobre libros, fines de semana y no sé que chorradas (aunque realmente solo yo estoy esperando)… Debería decirle un par de cousiñas para que se entere que no se puede ir así por la vida…

ELLA

– …Pues nada que me voy, ¿ok? Ya cuando venga a devoverlo hablamos un poquito mas…

 

ÉL

– ¡Por fin!

 

ELLA

– ¿Perdona?

 

ÉL

Eeee, hmmm… Mira ¿Sabes qué? Lo pensé un poquito alto pero la verdad es que me parece muy fuerte que usted esté diez minutos para coger un libro aqui… Que para contar su vida están los psicologos ¿Sabes? No la gente que trabaja en el metro… Además ¿no ves que no es solamente usted que quiere cogerse libros? Yo llevaba diez minutos esperando y es que soy paciente por que sino ya le hubiera dicho antes un par de cousiñas…

 

ELLA

[Mode irrisión on] Mira simpatico, yo te he visto pero usted se estaba paseando por los pasillos, no detras de la supuesta cola que comentas… Por cierto, no había nadie detras mía para coger libros.

¡Que tenga usted una buena tarde! [Mode irrisión off]

 

ÉL

Eso, venga, ¡dame la espalda! Por lo menos ahora puedo coger mi libro sen ter que importunar… ¿Hein? ¿Ya está cerrado? Pero a ver… Ya son las 20h00? ¡Ay que carallo!

Son las 20h10 y la chica del quiosco lo habrá cerrado mientras discutía con la marujita esta… ¡Amodo!… ¡Tocate o carallo! Y me voy sin coger libros, por tolo… Humpf…

 

ELLA

Que chico mas maleducado… Que la gente hoy día no tiene paciencia para nada… ¡Yo flipo con la peña! Es que se por lo menos el tío estuviera realmente esperando en la cola, vale… pero dando vueltas por los pasillos echando miraditas como se quisiera ligar… Yo que sé… no he visto todavía a nadie que quisiera alquilar libros en este plan…

 

ÉL

“... Ahora a ver… que no me entero muy bien del rollo este del metro de Madrid… Cojo la línea 6 aqui en Nuevos Ministerios y son unas 6 estaciones hasta Moncloa… Bueno, no creo que tarde mas de 20 minutos en llegar allí… Será como a carreiriña d’un can…

Lo malo es ir sin leer…

Pero bueno, hay que pensar en cosas buenas, se realmente tampoco era para tanto lo de la chica… Al final podría haberle explicado que quisiera coger un libro y que siguiera hablando con la tía del quiosco…

Se daba igual de todas formas… No sé porque me puse tan borde…

Ya… creo que sí que lo sé…

Es que desde que he llegado a Madrid de Galícia me vuelve loco todo este desespero de la gente… Lo peor es que me pongo nervioso y termino siendo un pouquiño insoportable… Como no me entero… Creo que debería pedirle disculpas se la volviera a ver… Blegh, que tonterías digo… Bueno, dá igual ya he llegado al andén y menos mal que solo me queda 1 minutiño para que llegue el metro…

ELLA

[Mode lectura on] Llovía. El cielo estaba oscuro, gris e cargado de nubens llenas del poder de la naturaleza. El bosque a su alrededor estaba completamente destrozado. Las plantas, flores e, practicamente, todos los seres vivos de la floresta habían muerto… menos uno… [Mode lectura off]

Anda, pero se ya viene el metro por fin. Menos mal que no tuve que esperar mucho, creo que no llego a las 20:30 a mi clase… Para variar ¿no? como casi todas las semanas… Lo reconozco, soy mas enrollada que la persiana de la casa de mi abuela… Lo peor es escuchar la charlita que me va a meter el profe… Él siempre dice lo mismo:

 

– Again delayed?

– Lo siento, es que no sabes…

– But, tell me in english darling, tell me in english…

 

Y ahí empieza la movida de quejarse y quejarse que soy mal queda y eso… Encima que le pago… Piensadolo bien, la verdad es que tiene razón el viejo pero hoy no me apetece escuchar otra charla… Bueno, me sentaré en este vagón al ladito de esta señora mayor, así puedo continuar leyendo mi libro tranquilita…

ÉL

Pero se ya está lleno el metro… Se hay una cosa que no entiendo es porque la gente se acumula todas en el mismo sitio para entrar u salir… y lo peor es que no puedo esperar ni un bocadiño sino no encuentro donde sentar… Aparte que se seguimos andando mas al fondo hay espacios para que todos estén tranquilos, pero no… La gente queda toda delante de la puerta que da a las escaleras mecanicas siempre…

 

¡Es increíble!

 

Eso me incomoda porque me gustaría a mí estar cerquiña de la salida de la escalera también. Me gusta mucho estar comodo, pero por lo visto la gente no lo entiende… Ay ay… Enfín, ahora me tocará andar un pouquiño más dentro del vagón para encontrar un sitio… ¡Ay miña mai…! Al lado de la señora mayor podría sentar pero, hay una rapaza que va a llegar primero que yo… Mais, se es la chica del bibliometro de faz un momento. Voy intentar falar con ela a modiño… Se esta señora mayor se levanta me siento a su lado…

 

 

ELLA

[Mode lectura on] …Pensaba ella mientras bajaba los ojos y veía como su ropa quedó descolorida y algo sucia por el viaje… En este momento se sintió muy cansada por el esfuerzo y por todas las cosas que oyó y aguantó durante el período de peregrinación… [Mode lectura off]

¡Bien! Ya estamos en Guzman el Bueno, solo quedan dos estaciones para llegar a Moncloa… Hala, hala… Hoy no es mi día la señora mayor se ha bajado aqui y mi lado se sienta el simpático devorador de libros de Galícia… ¡Menuda casualidad! Lo peor es que el tío no saca la mirada de encima mía… Esperate, creo que se quiere hacer el simpatico de verdad…

Madre mía, por entre mis pelos puedo ver que sonríe como quién quisiera hablar haciendo el majete del pueblo… ¡Ay Dios, yo no me lo merezco!

 

ÉL

 

Bueno creo que ella no se ha dado cuenta aún que soy yo… u a lo mejor no me ha reconocido… Pues nada, le hablaré, para eso he sentado a su lado…

 

 

– ¡Hola!

 

ELLA

 

¡Díos! Es atrevido el chico… fingiré que no he escuchado ná de ná…”

 

– ¿¡Hola?!

 

[pausa]

 

– ¿¡¿¡Hooooola?!?!

 

[pausa]

 

– Oye, perdona que te moleste pero es que me gustaría disculparme por lo que le dije hace un momento en el quiosco de libros… “Bueno, me ha mirado de reojo aunque con una carita de pocos amigos… Blergh, ¿Porque le he hablado? Es que yo, a veces, hago cosas que no entiendo… Bueno, a veces no… Casi siempre…

– Mira, sé que he sido un poquito maleducado… pero solo quisiera decirte eso… Que lo siento y tal… yo que sé… “Ella no contesta… *suspiro*” – No te seguiré molestando, pero se te digo algo que te hace reír…

 

ELLA

 

– Usted no tiene ninguna gracia caballero…

 

 

ÉL

 

– Bueno yo he nacido en Villapene, pá que lo veas, no me hace ninguna gracia tampoco pero a la gente sí…

 

 

[pausa]

 

ÉL

– ¿Ves? Sabías que te ibas a reír… Anda, se te ha caído el libro de la risa… Espera que te lo cojo yo…

 

 

ELLA

– (risa) Perdona… No quisiera reírme de tí u de tu pueblo pero es que no esperaba escuchar algo así… (risa)

 

ÉL

– Te creo se todo el mundo me dice lo mismo, por eso en general digo que vengo de Lugo porque no hay tanta margen para chistes malos… Los amigos que tengo aqui en Madrid me suelen decir “¡Tu sí que naciste en un pueblo con dos cojones!” ¿Ahora ríes más? No seas tan mala… Pero enserio, lo peor de mi pueblo es cuando hay fiesta de alguna santa… ¡¿Te imaginas?! ¿Fiesta de la virgen de Guadalupe en Villapene? La Santa lo va a pasar muy bien… y los feligreses… (risas) Toma el libro, voy a dejar de hablar sino no vas a parar de reír… Por cierto, es una historia muy buena la del libro que cogiste… ya lo he leído.

 

ELLA

– (Risa) ¿A, sí? (Risa)

 

ÉL

– Sí, el autor es brasileño… Lo leí en portugues mismo, como es tan parecido al gallego… Al principio nos se entiende muy bien de que va la historia pero después terminamos identificados con los personajes… Cada uno está en busqueda de su felicidad y su realización personal con su peregrinación… Creo que todo el mundo quiere eso, ¿no? A mí, por ejemplo, me da mucho miedo volverme mayor sin encontrar una persona que realmente me quiera u esté a mi lado cuando lo necesite… Es que hoy día la vida está cada vez mas egoista y es todo tan complicado… Yo soy muy simplón y familiar… Aparte que lo vi lo que pasó a mi abuelo y no me gustaría tener la misma experiencia…

ELLA

– Bueno en parte tienes razón… Pero es el precio que se paga por avanzar en otras cosas… De todas formas, no podemos tener todo que deseamos, eso son cosas de películas… Las chicas, en general, por ejemplo, buscan a un hombre que la quiera mucho y sea paciente y comprehensivo… Todas sabemos que eso existe pero son como los billetes de 500 euros. Hay, pero ninguna lo encontra… Bueno, perdona, tu pueblo me activó la venita chistosa… Tiene que ser un choque para ti acostumbrarse a la vida en Madrid y eso… pero te acostumbrarás, aqui se vive muy bien… ¿Hace cuanto que llegastes?

 

ÉL

– 9 meses… Vengo a terminar la carrera…

 

ELLA

– Muy bien… muy bien… Bueno, yo me bajo aqui ya…

 

ÉL

– ¿Ah sí?

 

ELLA

– Sí, bueno que te vaya bien por los Madriles…

 

ÉL

– ¡Gracias! Oye, ¿Te puedo hacer una pregunta?

 

ELLA

– Dime.

 

ÉL

– ¿La chica del bibliometro era su conocida u eres realmente así de simpática?

 

ELLA

– Ella es mi amiga, u conocida… Y yo no soy para nada simpática… ¡Ciao!

 

ÉL

– “¡Que rapazza! Me da la espalda y se va… ni tuve tiempo de decirle adiós… Dá igual… yo tengo que estar atento a la estación que tengo que bajar… A ver el mapa del metro… ¡Ah no! Era la anterior, donde bajó la chica… ¿Como puedo ser tan desatento? Ahora me toca volver otra vez… aiaiai…

ELLA

[Mode BOSTEZO on] AAAAHHHHHHHHHHHHHHH [Mode BOSTEZO off] ¡Que sueño tengo! Cari, despierta… anda, hombre, levantate… ya es la hora… No he podido dormir tranquila pensando en la hora que teníamos que levantar… ¡Venga! No seas vago…

ÉL

[Mode BOSTEZO on] AAAAHHHHHHHHHHHHHHH [Mode BOSTEZO off] ¡Buenos días querida! Tengo pereza… Los años no pasan en balde…

ELLA

– Ya, ya lo sé… Por hablar de años hoy soñé con el día que nos conocimos en el metro ¿Te acuerdas? Me caíste fatal de primera… Curioso eso ¿No? Hace tanto tiempo…

 

ÉL

– (Risas) ¡Anda! Se he soñado yo lo mismo… Pero el mejor sueño que he podido soñar es saber que te tengo a mi lado. ¿Te acuerdas que hemos comentado lo que cada uno buscaba, sin querer? A mí me gustaría tener a alguien que estuviera a mi lado siempre que lo necesitara y ¡Mira! Aqui la tengo a mi lado… y cada dia la quiero mas…

 

ELLA

– Bueno querido, tu conseguiste lo que querías, pero yo dije que toda mujer buscaba un hombre sincero, paciente y tal.. y te encontré a ti, ¡Fijate! (risas)

 

ÉL

¡Hala! Se tienes mas de lo que has pedido, boba… Querias a alguien sincero, paciente y tal… y me tienes a mí que soy todo eso con el agravante de ser guapo, divertido, irresistible y solo me faltaba la pasta para la perfección… (risas)

ELLA

– Venga niño… Dejemos ya te picar el uno al otro… Vete a lavarse al baño mientras preparo el desayuno. ¡Ya me gustaría a mi tener a alguien que me cuidara como lo hago yo contigo!

 

ÉL

– Hey… pero yo estoy enfermito…

 

ELLA

– Lo sé, por eso te digo… Venga, ved a lavarse los dientes y eso mientras preparo el café… Se no espabilas llegaremos tarde a tu quimioterapia y para recordar nuestros primeros días vamos a ir en metro, ok?

ÉL

– ¿Como te voy a decir que no? Vamonos, pero no pararemos en el bibliometro para que cojas libros sino seguro que llegamos tarde… (risas)

Una de las historias de la série “cuentos madrileños

 

Él

”… Es que no me lo puedo creer… ¿Quién, en la vida, ha estado tanto tiempo en la cola del bibliometro? De verdad, se no fuera por mi timidez yo ya estaria echando leches a todo el mundo… Lo peor es que seguro que la chica esta que tengo delante es una marujita que quiere contar su vida a todo el mundo y cotillear de los demás…Eu alucino…

 

Ella

“...Bueno, como le estaba diciendo, la matematica es algo que se me escapa un poquito… Como la religión… pero el otro día cogí un libro aqui con su compañero, Juanma, muy bueno por cierto, sobre cálculos y eso. Se llama EL HOMBRE QUE CALCULABA… Me hubiera gustado leerlo de pequeña porque seguro que me cambiaba el gusto por la matematica enseguida. Así que nada mas… A ver, que hoy tengo mucha prisa, no puedo estar charlando mucho contigo, porque sino me pilla el toro y llego justita a mi clase de ingles…

 

Él

Esperate… Yo no he escuchado eso… No puede ser… la chica lleva casi 10 minutos conversando con la rapaza de la ventanilla del bibliometro ¿y ahora dice que tiene prisa? Pero bueno, eso es muy fuerte… Tampoco piensa en la gente que está en la cola esperando que termine su charla super interesante sobre libros, fines de semana y no sé que chorradas (aunque realmente solo yo estoy esperando)… Debería decirle un par de cousiñas para que se entere que no se puede ir así por la vida…”

 

Ella

“…Pues nada que me voy, ¿ok? Ya cuando venga a devoverlo hablamos un poquito mas…”

 

Él

¡Por fin!

 

Ella

¿Perdona?

 

Él

Eeee, hmmm… Mira ¿Sabes qué? Lo pensé un poquito alto pero la verdad es que me parece muy fuerte que usted esté diez minutos para coger un libro aqui… Que para contar su vida están los psicologos ¿Sabes? No la gente que trabaja en el metro… Además ¿no ves que no es solamente usted que quiere cogerse libros? Yo llevaba diez minutos esperando y es que soy paciente por que sino ya le hubiera dicho antes un par de cousiñas…

 

Ella

[Mode irrisión on] Mira simpatico, yo te he visto pero usted se estaba paseando por los pasillos, no detras de la supuesta cola que comentas… Por cierto, no había nadie detras mía para coger libros.

¡Que tenga usted una buena tarde! [Mode irrisión off]

 

Él

Eso, venga, ¡dame la espalda! Por lo menos ahora puedo coger mi libro sen ter que importunar… ¿Hein? ¿Ya está cerrado? Pero a ver… Ya son las 20h00? ¡Ay que carallo!

Son las 20h10 y la chica del quiosco lo habrá cerrado mientras discutía con la marujita esta… ¡Amodo!… ¡Tocate o carallo! Y me voy sin coger libros, por tolo… Humpf…

 

Ella

“Que chico mas maleducado… Que la gente hoy día no tiene paciencia para nada… ¡Yo flipo con la peña! Es que se por lo menos el tío estuviera realmente esperando en la cola, vale… pero dando vueltas por los pasillos echando miraditas como se quisiera ligar… Yo que sé… no he visto todavía a nadie que quisiera alquilar libros en este plan…”

 

Él

“… Ahora a ver… que no me entero muy bien del rollo este del metro de Madrid… Cojo la línea 6 aqui en Nuevos Ministerios y son unas 6 estaciones hasta Moncloa… Bueno, no creo que tarde mas de 20 minutos en llegar allí… Será como a carreiriña d’un can… Lo malo es ir sin leer… Pero bueno, hay que pensar en cosas buenas, se realmente tampoco era para tanto lo de la chica… Al final podría haberle explicado que quisiera coger un libro y que siguiera hablando con la tía del quiosco… Se daba igual de todas formas… No sé porque me puse tan borde… Ya… creo que sí que lo sé… Es que desde que he llegado a Madrid de Galícia me vuelve loco todo este desespero de la gente… Lo peor es que me pongo nervioso y termino siendo un pouquiño insoportable… Como no me entero… Creo que debería pedirle disculpas se la volviera a ver… Blegh, que tonterías digo… Bueno, dá igual ya he llegado al andén y menos mal que solo me queda 1 minutiño para que llegue el metro…”

 

Ella

[Mode lectura on] … Llovía. El cielo estaba oscuro, gris e cargado de nubens llenas del poder de la naturaleza. El bosque a su alrededor estaba completamente destrozado. Las plantas, flores e, practicamente, todos los seres vivos de la floresta habían muerto… menos uno… [Mode lectura off]

Anda, pero se ya viene el metro por fin. Menos mal que no tuve que esperar mucho, creo que no llego a las 20:30 a mi clase… Para variar ¿no? como casi todas las semanas… Lo reconozco, soy mas enrollada que la persiana de la casa de mi abuela… Lo peor es escuchar la charlita que me va a meter el profe… Él siempre dice lo mismo:

 

– Again delayed?

– Lo siento, es que no sabes…

– But, tell me in english darling, tell me in english…

 

Y ahí empieza la movida de quejarse y quejarse que soy mal queda y eso… Encima que le pago… Piensadolo bien, la verdad es que tiene razón el viejo pero hoy no me apetece escuchar otra charla… Bueno, me sentaré en este vagón al ladito de esta señora mayor, así puedo continuar leyendo mi libro tranquilita…”

 

Él

“Pero se ya está lleno el metro… Se hay una cosa que no entiendo es porque la gente se acumula todas en el mismo sitio para entrar u salir… y lo peor es que no puedo esperar ni un bocadiño sino no encuentro donde sentar… Aparte que se seguimos andando mas al fondo hay espacios para que todos estén tranquilos, pero no… La gente queda toda delante de la puerta que da a las escaleras mecanicas siempre…

 

¡Es increíble!

 

Eso me incomoda porque me gustaría a mí estar cerquiña de la salida de la escalera también. Me gusta mucho estar comodo, pero por lo visto la gente no lo entiende… Ay ay… Enfín, ahora me tocará andar un pouquiño más dentro del vagón para encontrar un sitio… ¡Ay miña mai…! Al lado de la señora mayor podría sentar pero, hay una rapaza que va a llegar primero que yo… Mais, se es la chica del bibliometro de faz un momento. Voy intentar falar con ela a modiño… Se esta señora mayor se levanta me siento a su lado… “

 

Ella

[Mode lectura on] … Pensaba ella mientras bajaba los ojos y veía como su ropa quedó descolorida y algo sucia por el viaje… En este momento se sintió muy cansada por el esfuerzo y por todas las cosas que oyó y aguantó durante el período de peregrinación… [Mode lectura off]

¡Bien! Ya estamos en Guzman el Bueno, solo quedan dos estaciones para llegar a Moncloa… Hala, hala… Hoy no es mi día la señora mayor se ha bajado aqui y mi lado se sienta el simpático devorador de libros de Galícia… ¡Menuda casualidad!”

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Vontade de contar nº 7


A flor dos dias
Sobre a vida, projetos, sonhos e importância…



Prólogo

Era noite. O céu estava nublado e a previsão era da típica garoa de verão onde o tempo não estaria instável.

Encima de um monte, como um bosque de pinos, há duas pessoas olhando o horizonte que tinham diante deles. Do alto de onde eles estavam se podia ver como as luzes dos carros e edifícios iluminavam a metrópole. Era realmente o ponto mais bonito daquelas redondezas e a visão mais privilegiada que qualquer mortal gostaria de admirar da povoação.

– Não sei… Eu não sei… – As frases são pronunciadas em um estado bem perto do desespero que há quando queremos explicar bem o que será dito. Ele continua:

– Falando sério, até agora eu… Eu não entendo muito bem tudo isso… – Fred estava sentado em uma pedra, cabisbaixo, enquanto divagava com seu companheiro, olhando para o vazio, como procurando algo que não podia encontrar somente com os olhos.

– Você não deveria estar aqui Fred… Esse hoje que estamos vivendo, não deveria acontecer… – Marcos responde com apreensão, na verdade, ele já tinha aceitado o fato de que Fred estivesse ali com ele naquele momento, mas ainda assim, era uma situação estranha… inesperada.

– Ontem – continua Fred – eu via as coisas de uma maneira que nunca tinha imaginado antes. Olhei as folhas caindo das árvores, o vento que soprava forte na grama, o balanço do mar… Fiquei emocionado quando vi uma senhora grávida andando pela rua… A gravidez é a máxima celebração da vida! Acho que ninguém percebe isso como eu agora mesmo.

– Sei lá cara…

– Sei lá?!? Como assim, sei lá? Você não percebe Marcos? A vida é a arte de ser, não de ter. Vocês se corromperam pela ganância. E amar a vida é justamente o contrário da cobiça e da avareza. – Fred se levanta, nervoso pela falta de compreensão do amigo. – Me faltam cinco minutos, cara… CINCO MINUTOS!!!! – Continua falando Fred, gesticulando e impaciente – E você ainda não me entendeu… Eu nunca imaginaria que você e a Raquel fariam isso comigo…

– Cara, eu amo a Raquel! Você tem, ou tinha, um conceito errado sobre mim. Eu nunca fui seu amigo, e dada às circunstâncias, não me importo de contar a verdade. – Marcos se levanta desafiante, ele sabia que era dono da situação, ele só tinha que esperar mais cinco minutos e, bingo, teria a vitória.

Fred fita seu suposto amigo com ironia. Ele não esperava saber essas coisas no seu regresso ao lar.

– É engraçado né? – Diz Fred esboçando um sorriso nervoso – Há sete dias atrás você e minha esposa tramam meu assassinato…

– O que você quer Fred? – interrompe Marcos.

– Queria ter decidido não voltar. Eu não queria ter visto isso, saber o que eu sei agora… Eu deveria ter morrido feliz, pensando que as pessoas que eu convivia me amavam e não tinham interesse em minhas riquezas.

– Você morreu assim Fred, feliz. Eu não queria que você voltasse, você voltou por que quis…

– Eu amo a vida, cara. Eu voltei por isso… Daí apareceu a oportunidade de voltar com aquela flor… Eu pensei que era uma dádiva ter encontrado ela e poder escolher… Dois dias mais depois da minha morte… Só pra estar com vocês, dois dias mais… E me faltam cinco minutos para que tudo acabe outra vez…

Na verdade faltavam sessenta segundos. Fred senta outra vez e começa a olhar o horizonte… Havia muitas nuvens negras naquela noite e começa a chover…

– Eu gostaria de ver a lua uma última vez, mas parece que essa noite não vai ser possível… – diz Fred olhando o céu, procurando seu desejo, com a chuva caindo. Ele olha o relógio, faltavam trinta segundos.

– Marcos? – diz Fred – O que você faria, se pudesse voltar da morte, por somente dois dias?

Marcos ri e responde:

– Em dez segundos, você morre Fred. Deixa de perguntar idiotice, quem se importa com isso? Eu quero é desfrutar agora! Se eu morrer, não quero ter dois dias mais… Você não deveria estar aqui cara, nem deveria saber que eu e Raquel te matamos na primeira vez. Morre de uma vez e deixa a gente viver feliz em paz!

– Você tem razão, eu não deveria estar aqui agora… – Fred ensaia uma caminhada, por um momento, e cai ao chão.

Marcos retira um cigarro do bolso da chaqueta levando-o a boca com calma. Logo, acendendo lentamente o seu vício, se deixa entreter pelo desgraçado final do companheiro.
Olhando ainda o  cadáver de Fred, se afasta do local deixando o moribundo amigo estendido na grama, onde  acabava de enfrentar seu derradeiro destino.

A chuva começa a parar e as nuvens vão saindo deixando uma linda lua cheia exposta no céu.

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Vontade de contar nº 3

Fleur de Canelle, sobre o valor e a amizade…



Aquela flor amiga não era como as outras que ele já havia visto. E na verdade, o rapaz, sempre teve a presunção e certeza que era um bom conhecedor da matéria em questão.

No começo houve apreensão das duas partes, pois a flor só escutava falar dele pelas abelhas e pássaros que pousavam rápidamente em seu jardim trabalho… e as poucas vezes que ouviu sua voz deu-lhe a impressão de um velho senhor muito sério e pouco divertido ledo engano.

A verdade é que o primeiro encontro foi estranho, pois os dois queriam estar completamente certos que estavam errados. Mas, aos pouquinhos, a sensação foi embora deixando espaço ao carinho que insistia muito em chamar a atenção.

Hoje, a flor e o menino neguinho nem lembram da primeira vez que conheceram-se porque a amizade deles é tanta que parece que sempre existiu.

Vontade de contar nº 1

A Jornada

Sobre reviravoltas, coragem, e o eu interior.

… sustentando-se de pé durante duas luas cheias
E sem permitir que a paisagem que lhe rodeia, és dizer, toda ambientação
Derrube sua alma e coração, pois certamente ali encontrarás
Tudo que seu ébrio espírito traz…
 ” – Trecho retirado como reprodução da Carta dos Desafios Tomo XXVII, Capítulo IV,  verso 7

***
Ato I – A Jornada

***

Chovia. O céu era escuro e repleto de nuvens carregadas pelo poder da natureza. O bosque ao redor dela estava totalmente destruído. As plantas, flores e, praticamente, todas as formas de vida da floresta haviam sido arruinadas… Menos uma. Depois de cruzar por entre abismos e desfiladeiros, enfrentar naufrágios e tormentas, aquele era o momento mais crucial e solitário que teve. E também o mais decisivo de cara ao futuro imediato que esperava-lhe.

Diante daquela triste paisagem, a dor que batia mais forte não eram das imagens do bio-extermínio ao redor, e sim, da incompreensão alheia por culpa do abandono que havia sofrido pelo seu querido cavalo alado. Entretanto, aquela vista continuava a ser arrepiante e sombria. Era como se todo o sentimento de solidão e recusa, mais íntimo que tinha, houvesse sido colocado em sua frente para que o enfrentara em sua jornada até chegar aYggdrasill, a famosa Árvore-do-Conhecimento.

Foi imersa em esse panorama de desespero que ela reconheceu seu objetivo. Yggdrasill, a famosa Árvore era enorme e assustadora. Eram poucos os guerreiros que chegavam até ali e conseguiam fazê-la responder seus desejos ou perguntas. De pé, a menina-guerreira recordou os versos da Carta dos Desafios, onde estipula as regras para comunicar-se com a descomunal Planta sem que o forasteiro fora atacado pelas temidas Walkírias, figuras estas que somente respeitavam a passagem sem penitências ou regras estabelecidas aos Deuses.

Ato III – O Diálogo

– … Duas luas cheias em pé… não posso fraquejar agora… – Murmurava enquanto baixava os olhos e via como sua roupa estava já desbotada e maltrapilha pela viagem. Neste momento sentiu cansaço pelo esforço e por todas as coisas que escutou e aguentou durante este período. Quase não restava água em seu alforge e apenas tinha pão para alimentar-se… Seu machado estava oxidando… Todavia, seguia obstinada e assim manteve-se durante o tempo fixado, até que, já segura que era o momento exato diz com voz alta e firme;

– Sou Tahnya, filha da Terra e do Céu, treinada nas artes da batalha pelos guerreiros Vida e Perseverança.Durante minha jornada vivente fui capaz de grandes façanhas junto a meu querido companheiro alado, mas, devido ao encantos de uma feiticeira fui abandonada por ele e, desde então, falo uma língua que nenhum ser vivo pode compreender. Sinto o desdém alheio e a vergonha a cada dia por culpa dp maldito sortilégio que nos foi lançado e nem sequer meus entes queridos entendem minhas palavras ou acreditam no que profetizo…”

Yggdrasill, apesar de seu vasto conhecimento e experiência, nunca havia estado diante de uma menina-guerreira. Então sacudindo suas enormes raízes e balançando suas folhas de maneira assustadora, o Vegetal diz:

Sou Yggdrasill. Minhas raízes estão situadas em Niflheim e meu tronco mais alto, que pode inclusive tocar o Sol e a Lua, chegam até Asgard, a cidade dourada e terra dos Deuses. Sou dona do conhecimento do mundo e posso oferecer-lhe a troco de um ato de abnegação, já que demonstraste coragem perante mim… Por que viestes pequena?” – A menina alça os olhos com mirada audaz e coragem antes de expressar-se:

– Venho enfrentar meu destino! Toda minha vida foi posta ao revês com o desamparo do meu ex-companheiro… Falo coisas que ninguém entende e profetizo uma jornada que ninguém acredita… Sou valente, ó nobre Planta, e quero conhecimento para não hesitar em minha decisão de seguir viagem e poder continuar o meu caminho!

Por ora, es deveras, jovem peque…”

– Não sou jovem! Tenho mais de 20 mil luas de idade… – A Árvore solta uma estridente e abafada risada produzindo um leve tremor no local;

Não importa quantas luas tens. Em verdade antes que ela fosse eu era, menina guerreira! – A Planta esboça um suspiro e prossegue – No entanto, em verdade, nunca esperaria encontrar-te aquí, porque conheço bem sua história e o que fostes capaz de construir em todos esses anos. Admiro a ti e aos teus querida. Agora estende sua mão e escolha duas flores em meu galho… Escolha as que mais gosto tens e logo, se aceitas as regras, terás o que requisitas de mim.”

Ato IV – O Reinício

Tanhya não teve dificuldades em escolher as duas flores tamanha era a distinção e cumplicidade que havia entre elas. Era como se não houvesse outra opção, muito apesar de Yggdrassill possuir várias outras lindas flores em seus ramos. Arrancado-as do galho com carinho a jovem as sustenta nas mãos maravilhada pela sua beleza, até perceber que o local  sangrava.  A menina fitou a Árvore com espanto pois, não era sua intenção fazer-lhe mal algum. Entremostrando surpresa, a pequena ainda aflita pela ferida que não causou adrede, arrisca sem éxito sarar os galhos com o pouco de ungüento que restava em seus utensílios.

Não temas guerreira, há bons motivos no ocorrido!  – O extraordinário vegetal, ciente das boas intenções da menina, afasta os ramos feridos da jovem e prossegue –  Colhestes duas rosas brancas do meu galho e para fazê-lo há que romper um vínculo que nos unia. Saiba que tudo que é separado por uma força estranha produz reações negativas e muitas vezes daninhas… ”

– Então como pode haver bons motivos se as reações são daninhas? Não entendo…

“Porque algumas vezes, há uniões que devem ser desfeitas para encaminhar e endireitar as coisas. Tens em suas mãos duas das minhas mais belas flores. E eu sei que lá de onde vens, em seu jardim, também possuis duas rosas, tão belas, como as minhas!

E elas precisam do seu cuidado pequena, porque também sofrem sua ausência e as circunstâncias. Agora, vá a seu vilarejo e plante as sementes das minhas flores em seu jardim para que as suas rosas voltem a cobrar ânimo!  Quando o faças, gradativamente sua fala voltará a ser entendida e com a fragrância que será emanada por elas todos os outros habitantes de seu vilarejo passarão a compreender-te e compartir sua decisão. Mas lembre que essas variações não virão de um dia a outro e seu esforço se verá multiplicado por dez.”

A menina sente a esperança aflorar após as palavras da Planta! Era visível a força das flores cruzando sua alma para empreender sua nova jornada. Com olhar contente ela diz.:

– E agora para retribuir- lhe, qual seria o meu sacrifício?

“Deves eliminar-me. Corte todas minhas raízes com seu machado pequena, logo depois poderás seguir seu caminho e fazer tudo que lhe instruí…”

– Mas como poderia eu fazer algo assim a ti? Fostes bom comigo…

“Minhas raízes absorverão a tristeza que levavas consigo e que impregnou este local com solidão como podes observar ao redor. É necessário cortar também este vínculo de mim ou não poderei resistir muito mais tempo e todos seus temores voltarão a impugnar sua alma. Este será seu grande ato de abnegação! Renunciar a ti mesma.”

As raízes de Yggdrasill percorriam todos os mundos conhecidos e eram imensas. A menina hesitou a realizar a ação pois temia renegar tudo que conhecia sobre si e ser responsável pela extinção da Árvore. O desamparo e cansaço se uniram ao enleio; aquela típica pertubação, talvez melhor dito apreensão, em estar tão próximo do ansiado objetivo; de ver seu esforço e lamento chegarem ao fim e encetar seu novo destino com júbilo fizeram com que ela vacilasse em crer no que ouvia. Sua íris brilhava com intensidade e seus lábios manifestavam sentimentos impossíveis de ser descritos com as prosas conhecidas. Tanhya, de súbito, reflexiona sobre a conseqüente morte de sua interlocutora e a tristeza que gera este  sentimento inunda seu coração. Percebendo as sensações da menina, Yggdrasill diz;

Escute pequena, a recompensa será melhor que o esforço que farás cortando minhas raízes. Eu estarei bem e sempre estarei contigo. O significado das coisas, ainda que agora pareça nocivo, em breve, será compreendido por ti e te fará feliz.

As duas rosas que tens lhe ajudarão a cumprir esse sacrifício. A menor delas lhe anunciará quando seu trabalho estiver terminado e lhe refrescará abundantemente com o orvalho do vale quando te sintas cansada… Ela deverá chamar-se NadÿneA segunda rosa está repleta de compaixão e graça. Ela demonstrará empatia quando já não tenhas forças para seguir e tomará para si, algumas vezes, a responsabilidade. Ela deverá chamar-se Aïna.”

Ela empunha seu machado e reúne em suas mãos o que sobrava-lhe de coragem. Com o apoio das duas rosas, ela talha a Yggdrasill; que a cada corte vai convertendo sua cor original em um gris opaco e sem vida. Durante cada dia que transcorria, a vontade de entregar-se aumentava e cada uma das noites que passou sentia mais frio e mais e mais empenho exigiam as raízes para serem separadas. Passam-se semanas, meses e anos onde a pequena teve diversas experiências que a colocavam no límite da sua essência. Conheceu peregrinos que, aparentando uma falsa empatia a instavam a desistir da tarefa e de seus sonhos, em uma ocasião, quase tambalea vítima de sua própria moralidade; chegou a vencer cruentas batalhas contra inimigos que nunca pôde contemplar com seus olhos, sempre auxiliada pelas duas flores tal como havia profetizado Yggdrasill; até que finalmente rompe a última raíz.

Encharcada pelo suor, sangue e restos do Vegetal, Tanhya levanta seu machado ao céu e brame com toda força comemorando seu feito. Logo, cai de joelhos e se entrega ao alívio psicológico e físico que sentia. A emoção a faz soltar seu instrumento ao chão e levar as mãos ao rosto entre prantos e soluços. Depois que o trabalho havia sido realizado suas tão proveitosas flores se dissipam dando lugar a duas sementes. E é então quando ela fecha bem os olhos e volta a gritar. Como se liberasse um desabafo inquietante contra a hipocrisia e a perda. Ao abri-los dá-se conta que a paisagem ao seu redor era de uma linda pradeira cheia de vida e animais radiantes de alegria! Percebe que as manchas de sangue foram transformado-se em borboletas que rodeavam seu corpo em uma imagem belíssima. A menina gira para observar toda natureza e nota que estava de volta ao seu vilarejo sem apenas ter-se movido do local onde teve o encontro com a Velha Árvore. Em euforia, Tanhya recorda as instruções que recebeu e coloca as sementes em seu jardim; logo passa a chamá-las pelos nomes que foi orientada. Ainda comocionada, decide, finalmente, seguir o caminho que lutou com tanta veemência para seguir. Não obstante, sua ambição em partir confrontava a ingênua e cativante veleidade de ficar em Piera Azul, seu povoado, cuidar de suas novas flores e arrimar-se aos que precisavam de ânimo.

É quanto ainda envolta nesse receio, ouve desde seu interior suas duas rosas dizerem:

“Mãezinha, nós a amamos! Apoiamos tudo que seja feito e decidido para sua felicidade. Sentiremos sua falta aqui a nosso lado, mas também sabemos que apesar da distância nunca vais partir de verdade. Porque nosso coração estará unido para sempre e nenhuma força, por maior que seja, poderá desfazer essa união.”

E assim, com o espírito alentado e livre, a jovem parte a sua nova aventura, sem saber que uma de suas rosas estava prestes a dar-lhe o fruto mais bonito de todo o jardim. Uma nova flor, chamada Gaël.

 Dedicado a família Barbieri.

Publicado na antologia “Quimera” da editora Andross.

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¡Instinto!

Sobre la fragilidad y la natureza de cada uno de nosotros

… Fue cuando ella, ya rebosando de emoción, no pudo contenerse y se entregó al mas puro sentimiento que cualquier ser vivo puede expresar. Corriendo hacia él desesperada, pues ya había desahogado todo lo que tenia sujeto en su interior, le abrazó con pasión.

Aquel árbol nunca habia recibido tanto cariño como en aquella vez…

Vontade de contar nº 9

A Imigração das Aves
Conto sobre importância, o vôo e saudade…

Nanuq, um velho Urso Polar, havia-lhe feito uma pergunta e aguardava com um olhar terno e as mãos sobre a têmpora do pequeno menino.


A coisa – começou a balbuciar o garoto com a cabeça levemente levantada em direção ao animal – é que a “Tingmiaq“, nossa “pecinha lala” foi embola – completou ele com sua ímpar pronunciação e segurando as lágrimas para não cair em prantos.


O Velho Urso sentiu empatia pela sinceridade do guri. Até mesmo ele com toda experiência, sabedoria e dificultades que havia passado em sua vida, sentira falta também de “Tingmiaq“.


No Ártico Oriental não era comúm conhecer uma companheira tão incrível e cheia de vida como “A pecinha rara“. De fato, a vida para todos eles havia sido tão fria quanto os blocos de gelo que rodeavam-os, até que aquela formosa figura apareceu por aquelas bandas, por culpa da dúvida que tinha em onde deveria imigrar…


Foi pensando nisso que o Grande Urso Branco disse:
Pequeno Inuit, deves lembrar que nossa querida “Tingmiaq” simplesmente foi, durante uma temporada, ao lugar de onde ela veio… A imigração faz parte da natureza dos homens, animais e plantas… E a natureza é perfeita, jovem companheiro!
Lá onde está “Tingmiaq” também existe outro menino que a adora e sente falta dos seus sorrisos, abraços, beijos e alegria. Além do que, principalmente, a ela também fazem falta o calor e carinho das suas origens – O Urso segurou o rosto do menino com suas duas patas e ajoelhando-se para estar a mesma altura dele continua dizendo – Sabes que o inverno aqui é duro e frio menino Inuit e nossa amiga sempre nos traz alegria… então devemos animar-nos para que quando “Tingmiaq” volte sinta que também tem uma família aqui conosco!


O garoto sentiu uma radiante sensação ao escutar seu conselheiro. Quanta razão havia em suas palavras! E, ademais, a amiga deles nunca ficaria contente sabendo que sua ausência diminui a felicidade deles.


O Pequeno Inuit abraçou Nanuq e disse:
– Acho que agora entendo o que significa saudade!


O Velho Urso sorriu deixando sair de sua boca, um pouco da típica fumaça em uma temperatura tão baixa e comenta:


– Vem, vamos chamar os outros e preparar alguma coisa juntos. Assim, quando “Tingmiaq” esteja de volta, teremos muitas aventuras para contar e escutar!